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Curiosidades
Sedlmayr: a dinastia que pôs Munique no mapa cervejeiro

Em 1807, o mestre cervejeiro do palácio do Reino da Bavária, Gabriel Sedlmayr, comprou uma cervejeira obscura da cidade de Munique, atual Alemanha. A cervejeira começou como pub em 1397, na parte velha da cidade, mas apenas recebeu o nome pelo qual é hoje conhecida, Spaten (espada, em alemão), em 1622. Desde esta data até ao início do século XIX, a cervejeira perdeu clientes e qualidade, e antes da aquisição por parte do mestre Sedlmayr ela encontrava-se no último lugar de consumo de malte entre as 52 fábricas de Munique.


No início do século XIX, a Europa Ocidental estava a mudar e a revolução industrial entrava, literalmente, na vida das pessoas, das fábricas aos lares. Foi neste cenário de inovação fervilhante que Gabriel Sedlmayr começou a transformar a Spaten. Em 1820, apenas treze anos após a sua aquisição, a Spaten era já a terceira cervejeira com maior consumo de malte. Com o sucesso comercial veio o respeito: a marca começou a ser servida na Hofbräuhaus, uma das tabernas mais conhecidas de Munique, e em eventos organizados pela realeza. Se a narração acabasse aqui, provavelmente o mestre cervejeiro não mereceria um artigo na nossa casa. Mas estamos apenas no começo de uma das mais empolgantes histórias da indústria cervejeira europeia.

Espionagem no mundo cervejeiro?

A revolução industrial mudou as técnicas de produção de cerveja e a Spaten agarrou esta oportunidade com as duas mãos. A partir da década de 1830, Gabriel Sedlmayr, já com a ajuda do seu filho homónimo - conhecido como “Gabriel, o Jovem” ou simplesmente Gabriel II -, experimentou novas técnicas de maltagem. Tudo começou numa viagem de seis anos do jovem Gabriel pela Europa - Prússia, Suíça, Bélgica, Áustria, Países Baixos e Reino Unido -, onde conheceu novas técnicas e viu in loco como os vários mestres cervejeiros europeus trabalhavam as suas cervejas. Durante as viagens, Gabriel II reparou que os belgas e os ingleses possuíam técnicas mais delicadas para secar o malte e tinham mais conhecimentos sobre a extração dos açúcares fermentescíveis durante a brassagem. Nestas visitas, Gabriel II conheceu Anton Dreher, ele próprio herdeiro de uma cervejeira austríaca, situada nos arredores de Viena, e ambos visitaram a cervejeira britânica Bass, que lhes ofereceu o primeiro sacarómetro.


Era comum, porém, que as descobertas de Gabriel e Anton fossem menos amigáveis. Com a ajuda de uma bengala modificada para recolher amostras de mosto e cerveja, que depois analisavam no quarto de hotel, a dupla percorreu várias cidades e recolheu toda a informação que podia. Quando regressaram a casa, os dois cervejeiros traziam notas importantes para o seu futuro empresarial, mas também para o futuro da cerveja na Europa.

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A era de ouro da cerveja inglesa


No início do século XIX, os britânicos já exportavam cerveja para o norte da Europa e para o Império que tinham nos quatro cantos do mundo. Na produção de cerveja em grandes quantidades, mas não só, os ingleses estavam muito mais avançados que os outros países europeus: na aplicação da pesquisa bioquímica, no controlo de temperatura da produção de cerveja e na utilização da energia a vapor para acelerar o processo.

A era de ouro da Spaten

Com a morte de Gabriel Sedlmayr (pai), em 1839, o filho assumiu as rédeas da Spaten e modernizou-a. E tinha um trunfo na manga: o malte Munique, que desenvolveu a partir da informação recolhida nas viagens pela Europa. O malte Munique esteve na génese de um novo estilo de cerveja lager: a Märzen. Lançada em 1841, a Märzen foi um sucesso e no final do século a Spaten já era a maior cervejeira de Munique.


A criação da Märzen não foi a única receita para o sucesso da Spaten. Para contornar a dificuldade em fabricar cervejas lager no verão, devido ao calor intenso, Gabriel II procurou o professor de engenharia Carl Linde, o qual, em meados daquele século, centrava a sua pesquisa em modelos de refrigeração. Linde convenceu Gabriel a instalar uma das suas máquinas nas caves de fermentação da Spaten, naquela que terá sido a primeira vez que uma máquina de refrigeração mecânica foi utilizada numa cervejeira. 


Com a capacidade para produzir cerveja de qualidade ao longo de todo o ano, a Spaten começou a experimentar receitas de outros estilos, tentando encontrar um que competisse com a crescente popularidade da Pilsner checa que, entretanto, chegava através da fronteira. Como resultado desta experimentação, a Spaten criou uma cerveja dourada, para ser bebida nos biergärten (as clássicas praças alemãs destinadas ao consumo de cerveja) durante o verão.  


Esta cerveja tinha um aroma doce e limpo, era subtil no lúpulo e com discretas notas de picante e especiarias. A “clara de Munique”, assim era conhecida, tornou-se na Helles que hoje bebes. Quanto ao estilo Märzen, ele continua a ser bastante apreciado pelos apaixonados por cerveja e, até há poucos anos, era uma das cervejas servidas no Oktoberfest.

Sabias que...

Jacob Christian Jacobsen, que fundou a Carlsberg em Copenhaga (Dinamarca), em 1847, foi um dos alunos de Gabriel Sedlmayr. Jacobsen fundou a sua cervejeira com levedura Spaten e produziu, nos primeiros anos, lagers pretas. Os dois continuaram amigos durante toda a vida. É possível, inclusive, que Sedlmayr tenha ajudado Jacobsen na sua aventura empreendedora, lançando num projeto empresarial cujos frutos duram até aos dias de hoje. 

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