Curiosidades
5 civilizações antigas apaixonadas por cerveja

A cerveja é central na cultura humana desde tempos antigos e o seu aparecimento ombreia com a própria prática da agricultura. Para perceberes a importância desta bebida na evolução da sociedade, deixamos-te alguns exemplos de como a cerveja influenciou o dia a dia dos habitantes de algumas das mais antigas e avançadas civilizações da história.

1. China Antiga

É impossível saber há quanto tempo a cerveja é produzida no território chinês, mas os artefactos encontrados ao longo dos séculos parecem apontar que há pelo menos 7000 anos que os chineses bebem cerveja. Nos tempos antigos, a bebida chamava-se Lao Li e era um importante elemento de culto, sendo utilizada em funerais e outros rituais de celebração.


Produzida de modo relativamente próximo ao de outras civilizações antigas, como as do Egipto e da Mesopotâmia, a cerveja chinesa tinha ingredientes locais que lhe dava nuances próprias. Desde logo o arroz, que era o principal cereal utilizado no fabrico da bebida, por vezes em simultâneo com o milho e o trigo. A estes eram adicionados ingredientes como o mel, as uvas ou bagas de espinheiro. 


Após a dinastia Han (202 a.C. a 220 d.C.), a cerveja perdeu importância para o vinho de arroz e só foi reintroduzida na sociedade chinesa no século XIX, com a construção de várias fábricas da bebida por emigrantes russos, polacos, checos e alemães.

2. Suméria

No poema A epopeia de Gilgamés, que reúne vários escritos da Mesopotâmia do século VII a. C., o herói Enquidu torna-se civilizado após o contacto com os deuses que o ensinam a beber cerveja. Muitas das lendas e poemas incluídos da obra têm origem suméria (3300 a.C. a 1200 a.C.), um dos povos que mais dinamizou a bebida nesta região do atual Médio Oriente.


A cerveja era consumida por homens e mulheres de todas as classes sociais, que bebiam de um jarro comunitário, com palhinhas de cana desenhadas especificamente para o efeito. É provável que a cerveja ainda estivesse a fermentar nesse momento, pelo que as palhinhas eram fundamentais no consumo de bebida, funcionando como filtro.


Os dois principais ingredientes da cerveja suméria eram a cevada maltada e bappir, um pão de cevada que era assado duas vezes antes de ser integrado neste processo. O lúpulo não era ainda utilizado e é provável que a cerveja fosse espessa, com a consistência de uma papa. Por curiosidade, e apesar de existirem milhares de referências à cerveja nas tábuas de argila encontradas no atual Iraque e Síria, a única receita encontra-se na canção Hino a Ninkasi, dedicada à deusa suméria da cerveja.


É através desta obra que conseguimos hoje recriar a cerveja que durante vários milénios se bebeu às portas da Europa. Os relatos falam de uma cerveja morna, azeda, leitosa e por vezes enjoativa. A recriação está longe de ser perfeita, mas fornece-nos uma ligação sensorial com o passado – e com o antepassado da cerveja atual.


Outros dos povos desta região do globo, os babilónios, produziam vários estilos de cerveja, classificando-os em vinte categorias, cada uma com características distintas. Nesta civilização, a cerveja tornou-se um bem comercial e uma comodidade no comércio interno e externo (nas trocas com o Egito, por exemplo, onde a cerveja era bastante popular).


A bebida começou a ser produzida em larga escala, o que motivou três parágrafos no Código de Hamurabi, um conjunto de leis escrito e publicado em 1772 a.C. Uma delas punia os taberneiros que serviam doses pequenas de cerveja aos clientes e que, em troca, aceitavam dinheiro e não cereais. Outros tempos.

3. Antigo Egipto

Existe um episódio, já na fase final do Antigo Egipto (3100 a.C a 30 a.C), que demonstra a paixão daquele povo pela cerveja. Para pagar a guerra contra os romanos, a rainha Cleopatra implementou a primeira taxa sobre a cerveja, uma medida que provocou ondas de descontentamento maiores que o próprio clima de instabilidade política.


Na verdade, os antigos egípcios eram tão reconhecidos como cervejeiros que a sua fama eclipsou a dos sumérios, povo que, de facto, se terá antecipado no fabrico de cerveja. É este o melhor elogio que se pode fazer à relação dos antigos egípcios com a cerveja, que encaixava que nem uma luva naquela civilização avançada e conhecida por desfrutar da vida


Os egípcios modificaram os métodos cervejeiros dos sumérios, criando uma bebida mais suave e leve, para beber na taça ou copo. Assim, de certa forma, a cerveja egípcia quase pode ser considerada a primeira cerveja moderna do mundo, uma vez que partilha mais características com a atual bebida que a receita proveniente da Mesopotâmia. 


As mulheres foram as primeiras mestras cervejeiras do Egipto, cuja produção era vigiada de perto pela deusa da cerveja, Tenenet. Sendo uma bebida muito popular entre todos, a cerveja era utilizada como compensação para atividades laborais – os trabalhadores das Pirâmides de Gizé recebiam três doses diárias de cerveja, por exemplo. Na verdade, alguns tipos de cerveja cumpriam uma função de alimento e não de bebida. E a cerveja não filtrada era uma excelente fonte de aminoácidos e vitamina B. 


Existiam vários estilos de cerveja, com diferentes ingredientes, sabores e teores alcoólicos. Ainda assim, o ABV não ultrapassava os 3% a 4%. A cerveja bebida nos festivais e cerimónias religiosas tinha um teor alcoólico superior e era geralmente considerada de maior qualidade.


A cerveja continha unicamente cevada ou uma mescla com trigo emmer. Pensa-se, até, que como base se utilizava um tipo especial de pão ou massa, que era depois misturada com água. Este pão fabricava-se com farinha de grão crua ou com malte e levedura, o que significa que esta civilização já tinha conhecimentos rudimentares sobre a maltagem e a fermentação.

4. Vikings

Antes de se apaixonarem pela cerveja, os vikings e outros povos nórdicos bebiam hidromel, a fermentação de açúcares provenientes do mel. Quando os primeiros cereais chegaram às terras frias do Norte da Europa, a cerveja começou a fazer parte da vida destes povos, como exemplifica a coleção de poemas Hávamál, publicada no século VIII e que menciona a cerveja como parte da sociedade.


Outro exemplo pode ser encontrado na epopeia nacional da Finlândia, Kalewala, na qual a cerveja tem um papel central e até mais relevante que a própria criação do mundo. Na obra, a cerveja é considerada uma bebida mágica, através da qual os deuses ofereciam saúde, calma e felicidade aos humanos.


Tal como nos vizinhos germânicos, também na sociedade viking a cerveja era produzida, na sua maioria, pelas mulheres. Na verdade, tratava-se de uma bebida perfeita para levar nas longas viagens marítimas, garantindo, através da sua longevidade, um número menor de paragens durante as expedições. Por fim, a cerveja era fonte importante de calorias para os guerreiros nórdicos, providenciando energia extra para as duras batalhas com que construíram a sua reputação. 


É possível que existissem centenas ou até milhares de cervejas diferentes em toda a região, uma vez que cada aldeia teria o seu próprio processo de produção. Isto deve-se aos diversos conhecimentos que os vikings traziam do contacto com povos da Europa, África, Ásia e América, e que os levou a descobrir novos cereais e técnicas de fabrico de cerveja.

Sabias que...

Foram encontrados vestígios de sahti, uma cerveja produzida em partes da Finlândia e que incluía lúpulo, cevada maltada, centeio maltado e zimbro, nos navios viking que ainda permanecem no fundo do mar. Um desperdício.

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5. Celtas

Originários da Europa central, mas que chegaram aos pontos mais distantes do continente, os celtas foram ávidos e reputados cervejeiros, ainda que cada tribo e região tivessem particularidades no modo como elaboravam a bebida. Na Península Ibérica, por exemplo, as tribos utilizavam grãos maltados no fabrico de cerveja, a partir de uma variedade antiga de trigo, um conhecimento que foi trazido pelos fenícios e que não terá sido partilhado com os celtas do centro da Europa.


Quando entraram em contacto com as tribos bárbaras, os celtas modificaram o modo de fabricar a sua cerveja. Assim, passaram por começar a molhar os cereais, para depois os moerem e misturarem com água, deixando fermentar o líquido ao ar livre. Para melhorar o sabor da cerveja, juntavam-se diferentes plantas e mel.


Com o tempo, os celtas desenvolveram técnicas para construir recipientes de madeira para armazenar a cerveja e mistificar o seu consumo. Assim, tal como nas conhecidas histórias do Asterix, os druidas tinham como missão criar receitas especiais para dar coragem aos guerreiros antes das batalhas.


O contacto com os romanos fez com que estes povos adotassem o vinho como bebida principal e a cerveja perdeu protagonismo em todas as regiões, exceto nas ilhas britânicas.


Quando hoje bebes uma cerveja, saboreias não só a melhor versão de uma bebida que foi aperfeiçoada por milhares de pessoas até aos nossos tempos, mas também as histórias e os acontecimentos que a trouxeram até aqui. Brindemos pois à História com todos os sentidos despertos.


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