Curiosidades
Daniel Wheeler: Cavaleiro da Ordem do Malte

No século XIX, uma nova forma de torrar o malte revolucionou o mercado cervejeiro. E ajudou a indústria a manter-se no topo da inovação tecnológica - e das escolhas dos consumidores. 



Há momentos que redefinem a história de uma indústria, produto ou costume. Para a cultura da cerveja, um dos marcos mais importantes aconteceu em 1817, quando Daniel Wheeler inventou um novo método de preparação do malte. A inspiração para esta nova técnica cervejeira, confessou na altura o engenheiro britânico, veio do processo de torra do café.


Wheeler adaptou-a através de um tambor metálico rotativo, um aparelho permitia que o malte fosse torrado de forma mais homogénea e sem ter contacto directo com a combustão do forno. A utilização deste tambor foi precursora de uma verdadeira revolução na indústria cervejeira e, provavelmente, salvou-a de uma crise anunciada (mas já lá vamos).


Fogo sem fumo

A invenção do tambor de Wheeler não terá sido propriamente a “roda” da indústria cervejeira, mas não andou longe. Até essa data, os grãos germinados eram secos nos fornos tradicionais, sendo dispostos por camadas em placas de metal perfuradas. Por baixo, a combustão de madeira, carvão ou coque permitia torrar o malte, mas uns grãos ficavam chamuscados e outros continuavam verdes. No seu conjunto, a mistura assumia, por norma, diferentes tons de castanho e o malte ficava com um sabor fumado.


Quando Wheeler colocou em prática a sua teoria, o forno de fundo perfurado foi substituído por um tambor de metal rotativo, que evitava a exposição direta do malte ao fumo da combustão. Além de não ser exposto diretamente ao fumo, o malte torrava agora de forma mais homogénea. Com esta técnica, tornou-se possível ajustar a temperatura e a duração do processo de secagem, controlando-se assim a cor e o sabor do malte. Dos tons assumidamente pálidos aos preto torrados, o céu passou a ser o limite para as marcas de cerveja desta época.

Salvos pelo gongo

A drum roaster by Daniel Wheeler in 1817

O tambor metálico rotativo celebrizado por Daniel Wheeler em 1817

A perspicácia e engenho de Wheeler vieram na altura certa para parte da indústria cervejeira britânica. Em julho de 1817, uma nova lei proibia a queima de açúcar para escurecer a cerveja. A invenção de Wheeler, quatro meses antes de a lei entrar em vigor, permitiu a toda a indústria aumentar a segurança do fabrico de cerveja, legalizando a produção, elevando os níveis de qualidade e reduzindo os custos.


E tornando-a, finalmente, um produto de massas. Um texto publicado na edição de Julho/Dezembro de 1917 da Annals of Philosophy fez jus à importância da descoberta. “Poucas patentes, como esta, prometem ser de tanta importância nacional”, escrevia o reputado jornal.

Uma revolução a duas velocidades

O início do século XIX apanhou a Revolução Industrial no seu auge e a indústria cervejeira não deixou passar o comboio. Além do tambor de Wheeler, os cervejeiros ganharam um instrumento novo, o hidrómetro. Antes da invenção deste instrumento, as cervejas eram normalmente produzidas com um único tipo de malte (cervejas claras com maltes pálidos, cervejas escuras com maltes mais torrados).


No entanto, o hidrómetro, desenvolvido a partir de 1790 pelo químico britânico William Nicholson, veio revelar que maltes pálidos produzem, geralmente, mais extrato de açúcar por quilo do que os maltes escuros. Este conhecimento veio abrir a porta para que os produtores de cerveja passassem a misturar maltes pálidos e ricos com várias quantidades e tipos de malte escuro - e fazê-lo de forma mais económica e eficiente do que alguma vez havia sido feito. Com os novos maltes diversificaram-se e aprimoraram-se os estilos de cerveja: porter, stout e pale ale nas ilhas britânicas; e marzen, vienna, pilsner, e helles lagers no continente europeu. 


Entre as empresas que, numa fase inicial, adotaram as duas inovações encontram-se a Whitbread e a Barclay Perkins, de Londres, e a St. James Gate Brewery, de Dublin, Irlanda. Esta última ganharia reconhecimento através da marca Guinness. A herança de Daniel Wheeler, essa, perduraria até aos nosso dias.

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